
Qualquer pessoa que não tenha passado boa parte da sua vida a imitar um repolho ou outro tipo de vegetal inerte, já participou numa conversa em que este início de frase foi proferido. Sendo eu um tipo com um nível de educação que roça a perfeição (e o verbo roçar não tem aqui qualquer conotação marota), ocorrem-me dois ensinamentos da minha mãezinha a propósito da situação.
Um deles, “Quem mais jura mais mente”, faz todo o sentido recordar. O outro “Não batas em pessoas de óculos, porque te podes aleijar nos vidros partidos” é sempre válido, especialmente se quem jura for um belo de um caixa de óculos.
Pondo as coisas em pratos limpos, com bom cuspo e pano de boa cepa, o cenário é muito simples - não aprecio malta que jura isto e jura aquilo, primeiro porque juro me faz sempre lembrar prestações a bancos. O que por sua vez me leva ao conceito corja de ladrões e malfeitores. E isso não é bom. E juro que não inventei isto agora à pressão.
Jurar depende de simplemente de uma coisa – alguém nos quer convencer de algo, usando unicamente a fidedignidade da sua palavra para o efeito. Tendo eu alguma dificuldade em acreditar em pessoas, certamente compreendem a dificuldade que tenho em acreditar em palavras.
É porque tão depressa se jura um presidente, como a seguir se jura que não se tinha posto as meias sujas no lava loiça. Rapidamente se põe em jogo a saúde com o deveras tradicional “Juro pela minha saudinha”, como se disponibilizam bens e parentes estimados à laia de “Juro pela saúde dos meus ricos filhos”. Mesmo que não tenham a certeza que os filhos são deles.
Jovens amigos do palavreado com sabor a juro, comigo não vão lá. Até eu ver gente que jura pela sua saúde a adoecer com pestilências nauseabundas e criancinhas chacinadas pelos falsos juramentos dos pais, a coisa não vale. O mesmo se aplica a quem passa a vida a jurar isto e aquilo, só porque sim.
Aliás, só quando cotarem o valor da palavra de cada um em bolsa é que eu me fio nisso. Até lá, diversifiquem o léxico, invistam em palavreado de categoria e vão ver que mentem melhor.
2009/12/11
Epá, juro que...
Palavras sábias de
Mak, o Mau
às
12:48 PM
4
Pseudo-artistas do verbo intervieram
2009/12/09
Como correr com quem não gosta de correr

Se não gostas de desporto, este texto não é para ti. Mas espreita à mesma só para ficares raivoso.
Passei uma boa parte da minha ainda não totalmente lastimável vida a fazer desporto. Não por obrigação, mas sim por gosto. Da ginástica desportiva ao futebol, ao futsal, ao BASKET (a letra grande confere a importância que tem para mim), à natação, ao ténis de mesa, ao ténis sem ter mesa, até à corrida.
Desde o total amadorismo à prática competitiva, federada, séria e com mau-perder de nível olímpico, entre estas modalidades há uma característica comum – o escape. Para além da diversão e da competitividade que reside em mim, há também muita trampa que me arrasta muito mais para “O Mau” do que para o “O Tipo Afável, ainda que com a mania que é esperto”. E, essa trampa é muito fácil descarregar, quer em nós próprios, quer nas pessoas que nos são próximas, quer num ceguinho que calhe a ir passar, distraído.
Como me tenho em elevada estima, aprecio os ceguinhos e, pronto, até sou benevolente para quem me é próximo, o desporto sempre foi um escape natural.
E chegamos à corrida, caminhada para os menos apologistas do suor em bica. Haverá forma mais simples de descarregar energias? Creio que não. Nem que seja correr para fugir ao assunto.
Existem mil argumentos para me contrariar. “Que não gostam de desporto”, “Que não gostam de correr”, “Que não gostam de correr sem sentido”, “Que não gostam de levar com vento/calor/chuva/meteoritos em cima”, “Que têm outra actividade como escape”, “Que conhecem um mecânico que arranja escapes”, “Que a vossa religião não permite”, “Que a vossa religião é um escape” and soi on.
Aceito tudo. Na boa, sem problemas, com um sorriso simpático e com um abracinho de compreensão.
Mas depois, que não vos apanhe a dizerem “Que a vida passa a correr”, “Que passam a vida a correr”, “Que fazem tudo a correr”, “Que devia ser tudo corrido”, “Que não têm tempo e é tudo a correr”, “Que só viram não sei quê em corrida”, “Que andam numa correria louca”, “Que corre tudo bem”, “Que corre tudo mal”, “Que não corre nem sai de cima”.
É porque, para issso, mais vos valia correrem a sério, em vez de andarem a chorar sobre corridas derramadas.
A vida não passa a correr. Nós é que estamos demasiado ocupados a vivê-la para perceber isso.
Palavras sábias de
Mak, o Mau
às
3:40 PM
8
Pseudo-artistas do verbo intervieram
2009/12/07
Mulher por um dia
Fizeram um desafio aqui ao artista residente. “Então e se fosses mulher por um dia?”. Eu, que vi “A Mosca” e sou pouco dado a experiências arriscadas, não fiquei muito entusiasmado, mas depois disseram-me, não tens de te maquilhar, depilar, nem passar o fim de semana a ver os DVD’s do “Sexo e a Cidade”. É só a fingir.
Sendo assim, fiquei mais descansado e fui a correr com um amigo à casa de banho para lhe contar as novidades. Depois, comecei a pensar, tendo eu uma boa % de senhoras que me visita (no blog, gente perversa), que posso avançar sem ser extremamente rude da minha parte, nem realista o suficiente para haver malta a começar a pensar que sou mesmo uma jovem desinibida.
Foi aí que me ocorreu: “Espera lá, vais mas é falar de uma coisa chique, com muito nível, que ponha aí as garotas todas contentes e não iradas ao ponto de te lançarem uma fatwa”. E foi assim que chegámos este magnífico blog PeanutOak, onde não faltam acessórios de extrema originalidade e fino requinte. E, ainda por cima, com um passatempo de alto gabarito no Facebook, que a troco de uma simples frase vos pode pôr nas mãozinhas esta malinha original, exclusiva e ÚNICA. Sim, não correm o risco de ver uma cabra (é assim que se diz ou fui muito agressivo?) ao vosso lado com uma igual.
Espera lá, dirão alguns espíritos mais inquietos, mas esta história toda de ser mulher por um dia, não foi um engodo só para nos venderes esta ideia com uma desenvoltura que até apita?
Com um riso ligeiramente maquiavélico digo “Nunca saberão, muahahah”. Mas, AMIGAS (é assim?), se acharem que valeu a pena, não precisam de ir a correr contar-me à casa de banho. Um simples comentário chega.
Palavras sábias de
Mak, o Mau
às
10:22 AM
6
Pseudo-artistas do verbo intervieram
2009/12/04
Explicações de Português
Calma pequenitos, este não é um daqueles posts em que alguém, vulgo eu, chama ignorantes aos outros e se considera a maior autoridade em questões de tudo e mais alguma coisa, apontando defeitos vários, aqui e ali. Para posts do género, consultem o resto do blog.
Este é, pura e simplesmente, o título do livro que estou a ler. “E a gente, que samos pessoas simples, o que é que temos a ver com isso?”, indagam vocês, coçando a orelha. Nada, digo eu, tirando se forem a senhora que ia ao meu lado no autocarro e insistentemente tentava descobrir o livro que eu ia ler. Algo que, do alto da minha benevolência, dificultei o mais que pude.
Por isso, este post é para essa senhora e vocês são meros voyeurs. O que vos deve dar um gozo danado, já que toda a gente sabe que malta que visita blogs deste calibre gosta é de cenas esquisitas.
Quem aprecia Miguel Esteves Cardoso, gosta deste livro. Eu, que lhe apreciava a prosa, nunca me deixei cativar muito pelos seus livros, um pouco por preguiça, outro por teimosia. Mas este título, só por si cativou-me, uma vez que dar explicações e pedir explicações é coisa que fazemos frequentemente, mas raramente no melhor sentido e ainda menos sobre o português.
A nossa língua, minha e da senhora do autocarro, pela vossa não ponho as mãos no fogo, é rica o suficiente para este livro poder ser do tamanho do tijolo do Bolano. Mas não, tem a dimensão certa, apreciando eu sobremaneira os textos sobre o sentido de uma só palavra. Porque é possível escrever sobre tudo e sobretudo sobre nada, de forma interessante. É esse o dom de quem sabe cativar as pessoas pela escrita e o MEC nesses textos captados das suas crónicas, revela isso mesmo.
Quanto a mim, esse dom revela-se no facto de nem a si, senhora do autocarro, lhe conseguir chegar com esta palavras. Por isso, se ainda estão para aí a voyeurizar como se não houvesse amanhã, aceitem um conselho. Com o Natal aí à porta, se vos apetecer, peçam umas explicações de português. Se for o livro, melhor, se forem aulas, pronto já é um princípio.
Palavras sábias de
Mak, o Mau
às
4:48 PM
4
Pseudo-artistas do verbo intervieram
2009/12/03
A terceira idade já não é o que era

Já toda a gente ouviu a frase “a educação, hoje em dia, já não é o que era”, proferida normalmente por um idoso, em relação a um jovem que teve a ousadia de, alegadamente, passar à sua frente ou no autocarro ou no supermercado ou no café ou no cinema ou na distribuição de amostras grátis ou seja lá no que for. É certo e sabido que, se mete “passar à frente”, há um idoso indignado algures.
Este pequeno episódio, fruto da manhã de hoje lida com isso mesmo, mas de uma perspectiva diferente. Às 9 da matina, aqui o vosso amigo está na paragem do autocarro, meio de locomoção que usa quando é calão de mais para ir a pé ou lhe apetece ler 10 minutos. Levava o meu ar de cromo, vestimenta descontraída, mas com toque de homem que sabe o que quer, apesar de ninguém perceber muito bem o quê.
Ao meu lado, um perfeito avôzinho, daqueles que apetece dar um abraço e contar como foi o dia na escola. Bem vestido, gabardine, gravatinha, chapéu, bengala, cachecol e ar afável. Enquanto o autocarro não chegava, eis que atravessa a rua uma bela figura feminina.
Mulher bem parecida e tal, bom porte atlético, que chamava a atenção sem cair na vulgaridade. Ao perceber que o meu olhar a seguiu cinco segundos a mais do que o bom senso recomenda, senti um bocado a voz da consciência “o avô não ia gostar que eu mirasse assim tal donzela”.
Foi nesse momento que me voltei para o velhote, para ver se ele me tinha apanhado em flagrante. Não tinha, nem podia, essencialmente porque ele ainda estava a controlá-la. E, quando eu esperava apenas um ar simpático de “Quando era mais jovem...” eis o que ouvi com tom de sofreguidão:
“Ah, mula do caralh....”
Encolhi os ombros e aproveitei que o gajo estava distraído para lhe passar à frente e entrar no autocarro, que entretanto chegara.
Palavras sábias de
Mak, o Mau
às
10:43 AM
8
Pseudo-artistas do verbo intervieram
2009/12/02
O ABC da Vida – Fazer a ponte

Quando o final do ano se aproxima, há uma coisa que os portugueses adoram fazer. Mais do que enfardar fritos de Natal, mais do que planear o festejo forçado da passagem de Ano, mais do que aliviar a sua consciência num banho de consumismo desenfreado e mais do que ver os vídeos com os melhores apanhados do ano.
O que os portugueses realmente adoram é o acto sublime de ir ao calendário ver os feriados e as pontes que vai haver no ano seguinte. Aquele gozo pequenino, que cresce no nosso interior, ao pensar que, fazer a ponte ali e acolá, mais uns diazitos por aqui e vamos estar a capitalizar as férias ao máximo.
Fosse a matemática dada nas escolas utilizando a lógica dos dias de férias e pontes e pode dizer-se que ficava um problema resolvido. Depois só faltava depois ensinar a miudagem a falar e escrever português.
Há sempre alguém, no local de trabalho, o guru das pontes, que sabe todas de cor até 2024 e explica o padrão cíclico das mesmas, com rigor científico. Algo que depois, quando estamos a beber uma garrafa de tinto, num qualquer dia entalado entre um feriado e um fim de semana, merece pelo menos um brinde.
Depois, há ainda o funcionário estatal, que é por norma empenhado no desfrute de tais dias e que lhes dá um nome mais técnico, a chamada “tolerância de ponto” que, a meu ver, é um espelho fiel daquilo que pior o Estado tem. Aquela capacidade inata de olhar para o lado e dizer, “Pronto, vai lá fazer a ponte, mas não digas que fui que deixei, até porque eu não deixei, fui foi tolerante, que não é o mesmo, mas também não vale a pena expicar, porque estou a falar sozinho, já que hoje é ponte”. O Estado é um nhonhinhas porque nunca tem tomates para assumir as coisas pelos nomes.
Curiosamente, a expressão “fazer a ponte” acaba por ser altamente irónica, já que se formos ver quem faz, literalmente, as pontes no nosso país, vamos ter dificuldade em encontrar por lá muitos portugueses. Ok, pronto, isso é trabalho duro, consultar um calendário, por outro lado, não faz tanto calo.
Mas isto sou eu que tive tempo para pensar nestas coisas, na ponte que fiz segunda-feira
Palavras sábias de
Mak, o Mau
às
12:09 PM
2
Pseudo-artistas do verbo intervieram
2009/11/29
Indiana Jones e o temp(l)o perdido
Por mais vezes que veja este filme na televisão, é impossível não ficar com o coração nas mãos.
Palavras sábias de
Mak, o Mau
às
10:51 PM
4
Pseudo-artistas do verbo intervieram
2009/11/27
Espécies com Via Verde para a extinção
Como já fiz questão de referir umas quantas vezes, sou defensor de grande parte dos animais que existem. Neste lote não se inclui a chusma de gente vestida de animais/bonecos gigantes em festas e eventos para gente adulta que vou vendo por aí. A esses dava-lhes sumiço mais rapidamente que um panda consegue dizer “bambu”.
Não me refiro obviamente à bicharada que anima a Disneyland e outros parques temáticos afins, porque no domínio das crianças acho importante que aprendam rapidamente que as grandes bestas também podem ser divertidas. Só assim encararão a vida adulta com mais tolerância.
Mas, eventos em que bonecos temáticos tentam interagir com convidados ou mostrarem-se divertidos e foliões em locais com bebidas alcóolicas ao alcance de qualquer um, não me parecem grande ideia. Por mim falo, porque há gente que delira com um abracinho ao boneco, uma pancadinha amistosa aqui ou ali e por aí em diante.
Ora eu, que não tenho nenhuma fobia de infância com semelhantes personagens, só sinto dentro de mim uma certa irritação maldosa. A vontade de dar uma carga de porrada num boneco, algo que não sei se é punível por lei, já que o meu alvo primário é o personagem e não o tipo que lá meteram dentro.
Vou-me contendo, é certo, ainda ontem passaram por mim vários sapos que ficaram a um passo de levarem não um beijo, mas sim umas simpáticas biqueiradas.
Acham que tenho problemas e preciso de ajuda?
Só se os bonecos forem muitos...
Palavras sábias de
Mak, o Mau
às
4:47 PM
9
Pseudo-artistas do verbo intervieram
2009/11/26
Posologia moderna

Existem mentes simplistas que defendem que a posologia é apenas uma indicação sobre a forma de administrar medicamentos. Se quiserem continuar a acreditar nisso e a ter medo de conduzir maquinaria pesada, por mim tudo bem, mas o meu caterpillar não guiam.
No meu entender, a posologia é das poucas coisas boas que as farmacêuticas nos dão sem efeitos secundários. Aliás, acredito que, a par da Filosofia, da Antropologia ou da Sociologia, a Posologia também devia ser uma ciência ligada ao ser humano. Ou então um folheto individual com imensa piada
Então meu, já a abusar dos charros de azevinho antes da época? Calma, jovens adeptos do paintball nudista, eu explico. A posologia devia ser utilizada não apenas de forma redutora com comprimidos e antibióticos, mas também com pessoas. Facilitava a vida a muita gente, evitava muitas confusões e provava que eu não sou tão parvo como parece.
Exemplo
Mak
Concentrado de raiz de idiotice e folha de graçola.
Indicações
Óptimo para nos sentirmos menos alucinados por comparação. Ideal para quem precisa de um tónico de piadas e dizeres de categoria duvidosa.
Dosagem
Aturar de longe em longe, para não enjoar.
Recomendações
Não entre em duelos de piadas, sob o efeito de Mak. Não diga que nunca perdeu ao Trivial Pursuit, não tente usar palavras caras e recorrer a humor boçal, pois isso faz mal à saúde de Mak
Contra Indicações
Pode dar vontade de passar por cima dele ao volante de maquinaria pesada e tentar gracejos com o tema grávidas em período de amamentação. Poderá causar riso forçado e uma sensação de alívio, produzida por saber que ainda há gente mais estranha do que nós.
Validade
Pouca, tal como a das suas teorias.
E pronto, agora só faltam vocês e estamos todos a ocntribuir para um mundo melhor.
Palavras sábias de
Mak, o Mau
às
4:27 PM
2
Pseudo-artistas do verbo intervieram
2009/11/24
O ABC da Vida – Saber cair

Sempre que alguém cai num lugar público, quer seja de um escadote, de bêbedo ou do nada, há sempre alguém que se ri. Isto é uma daquelas leis inexoráveis (bónus por palavra cara) da vida, tão certa como este ser um dos cinco melhores blogues do mundo, na categoria imbecilidades a la carte.
Como a queda nessas circunstâncias não depende da vontade de quem cai (não desanimem público suicida, a vossa vez há-de chegar), interesssa abordar então o que fazer depois de cair.
Uma das tendências sempre na moda é o “Não foi nada”. Crianças, graúdos, mulheres voluptuosas, todos eles tendem a levantar-se num ápice, mesmo com fracturas expostas, dizendo “Não foi nada” e afastando-se a coxear ou a limpar o sangue da cabeça. Não incluí os idosos porque estes não se levantam, ficam apenas sentados a dizer....”Não foi nada”.
Este é o padrão comum. Há também o “Ronhas”, que fica deitado à espera que alguém chame uma ambulância para não ir trabalhar, chegando até a simular traumatismos vários para levar isso a cabo. Temos ainda o “Risadas”, que pensa que se se rir mais alto que toda a gente isso apaga o facto de estar com as trombas numa poça de lama ou que cueca verde-choque faz sucesso em qualquer avenida movimentada. Há ainda o mais recente “Spielbeg”, que espera sempre para ver se estão a filmar para poder dizer que foi de propósito e que é para os vídeos da semana.
“Mas, farol que ilumina os nossos nebulosos dias cibernéticos, há uma fórmula certa para saber cair?” perguntam vocês, enquanto atam uma almofadinha ao rabo, não vá poderem cair enquanto estão sentados.
Não.
A gravidade é uma lei, das poucas que somos mesmo obrigados a cumprir. Fora isso, posso apenas sugerir-vos terem mau aspecto, cerca de 1,85m e um ar de quem tem dificuldades em discernir o bem do mal. Em geral, resulta comigo.
Palavras sábias de
Mak, o Mau
às
5:15 PM
4
Pseudo-artistas do verbo intervieram
2009/11/23
O Dia da Benificência
Pode ser um choque para vocês, mas até pessoas como eu têm três ou quatro (vá lá, dois) dias por ano em que se dedicam a causas nobres. Como me disseram que este ano pontapear escuteiros não era válido, tive que variar e ir a um almoço de beneficência.
Não se tratava de uma causa qualquer, já que protege e cuida de animais, pelo que havia um certo interesseirismo da minha parte, pois nunca se sabe o que o futuro me reserva. O sítio era chique, o valor não era um choque e o repasto prometia pratos de nomes complicados e outros mais básicos, para quem tem vergonha de pedir comida em língua estrangeira.
Sentia-me à vontade, depois de ter treinado três ou quatro vezes comer com talheres. No entanto, há algo que me mexe com os nervos – eventos em que a média etária é o dobro da minha idade. Para já, os mais jovens acantonaram-se todos numa mesa, não tanto no espírito “mesa das crianças”, mas mais no género quem não usa fralda, tem a maioria de dentes próprios e não conviveu com o Rei D.Carlos que se junte aqui por favor.
Depois, almoço que meta buffet e idosos é como assistir a um arco-íris ou uma aurora boreal. Há sempre algo místico que nos fascina, quer seja o número de problemas de articulações e mobilidade que se curam dizendo apenas “Podem dirigir-se ao buffet” ou a forma como o Alzheimer e o apetite convivem salutarmente, já que se consegue ouvir gente dizer “Ah, eu como muito pouquinho”, enquanto se abastece de sobremesas pela 5ª vez.
A doença de Parkinson regride em quem tem de segurar pratos com empenho e os problemas de gota só se aplicam se se referirem ao abastecimento sôfrego de um simpático vinho tinto.
Aliás, a única parte de dor e sofrimento vem de quem, jovem e saudável, tem que levar com bengalas, andarilhos e cotovelinhos ossudos para chegar à comida. Mas pronto, lidei com tudo usando um bonito sorriso (emprestado), já que captei o espírito da coisa e, sem qualquer cariz vingativo, conto chegar a velho e aí vão ver quem é que rula na beneficência, no buffet e na arte dirigir cotovelos a diafragmas alheios.
Palavras sábias de
Mak, o Mau
às
3:17 PM
3
Pseudo-artistas do verbo intervieram
2009/11/20
Homónimofóbico
Não sendo das mais invulgares, a minha conjunção primeiro-último nome também não será a mais vulgar. Sendo assim, poder-se-ia dizer que primo pela mediania em termos de nome. Poder-se-ia, mas não se pode, já que o meu misto criatividade-imbecilidade pura, a par de uma modéstia de gabarito, dão um cunho muito pessoal ao meu nome. Tanto que tenho a mania que devia ser só meu.
Mas, a verdade é que não é. Aqui e ali vão aparecendo alguns indivíduos que teimam em usar o meu primeiro e último nome. Um claro abuso que só do alto da minha magnanimidade vai sendo tolerado, com um claro risco para eles. É que, cada vez que alguém fala no meu nome, eles têm a vã esperança que se fale deles. E depois ficam tristes, chamam-me nomes, quando deviam estar mais preocupados era em trocar o deles.
E depois, nascem episódios assim;
Certo dia, estava eu no recato do meu espaço laboral, quando me ligam da recepção. Não era do Fisco, nem sequer do Pirilampo Mágico, mas sim uma senhora que estava lá à minha espera. Ora eu não estou habituado a ter senhoras à minha espera na recepção, já que prefiro dar os autógrafos no exterior do edifício.
No entanto, lá fui eu, com uma barba digna de qualquer pirata dos piores bairros das Caraíbas, t-shirt de dizeres pseudo-engraçados e atitude a condizer. A jovem de tailleur conservador e ar assustado só não caiu redonda logo ali porque tinha uma entrevista. Comigo, pelos vistos.
Foi exactamente isso que me disse, depois das duas beijocas da praxe. O meu ar estupefacto era visível por debaixo do ar de parvo, o que ainda a assustou mais. “Mas, senhor X falámos por email a acertar pormenores da entrevista. Hoje é dia Y não é?”
“É, mas se falámos por email alguma vez na vida, deve ter sido noutra encarnação, porque nesta eu não me lembro”.
O vermelho no rosto da jovem não condizia com a camisa “Mas, é o senhor X não é?”, “Sou”, “Eu sou a Z, da parte do QB. Liguei-lhe primeiro e depois enviei-lhe o CV por mail. Combinamos hoje e lá em baixo na portaria disseram-me que era aqui”.
A loucura já deitava por fora “Mas mandou o CV para a XPTO. É que nós ainda somos uma empresa ainda bastante grande”.
“Ah.....não” O tom roxo também não condizia “Mas não é o senhor X da Bling-Bling Joalheiros?”.
“Não, sou o senhor X, mas da XPTO. A Bling Bling também deve ter um senhor X, neste edifício e neste andar”.
“Não acredito” a moça encostou-se como se precisasse de água. Como o garrafão ainda era longe, dei-lhe antes uma palmadinha nas costas.
“Eu também não, esse senhor não se devia chamar assim, mas acontece. Ande comigo que eu digo-lhe onde é”.
E lá fomos os dois, corredor fora, até à porta correcta onde trabalha o senhor com o nome errado. Ela ainda estava atabalhoada “Desculpe lá...E agora, estou tão enervada com isto tudo...”.
“Não esteja. O nome do senhor indica que é boa pessoa e, além disso, se a entrevista correr mal, sempre tem uma história engraçada para contar ao chegar a casa”. O garrafão de água ainda estava mais longe agora, dei-lhe outra palmadinha no ombro.
A porta abriu. A jovem entrou. Fui-me embora sem ver o senhor X, que até lhe poderia dar um emprego, mas nunca lhe proporcionaria uma história assim.
É o que dá não trocarem de nome. Depois, arriscam-se.
Palavras sábias de
Mak, o Mau
às
5:00 PM
4
Pseudo-artistas do verbo intervieram
2009/11/19
A noite de todos os bolos
A noite serve para muitas coisas e não é difícil imaginar que há até quem possa dizer que serve para dormir. Numa política bastante compreensiva, defendo que cada um deve fazer da noite o que quiser, desde que não more no apartamento acima ou abaixo do meu ou aprecie tocar pandeireta noite fora pelas ruas de determinada zona lisboeta. Mas, tirando isso, acredito que quem gosta de dar os seus giros nocturnos já deve ter feito o que vou mencionar a seguir:
Ir aos bolos.
Depois de já ter perdido grande parte da audiência bulímica deste blog, à qual se juntaram aqueles que só comem sobremesas de garfo e faca e nomenclatura blasé, resta-me divagar sobre a matéria junto dos esfaimados do costume.
Tal como se diz que na praia a bola de berlim sabe melhor, os bolos à noite são como certas mulheres maquilhadas - ganham outro encanto. Um croissant com chocolate engata-nos com mais facilidade, um pão com chouriço seduz-nos com o seu calor e um pastel de nata...bem um pastel de nata é sempre uma boa desculpa para quem não quer ir para casa sozinho.
Quem tempera a noite com uma boa ida aos bolos nunca pode dizer que tudo correu mal. E, se tudo correu bem, então só pode dizer que correu mal se for bipolar e, nesse caso, tanto come um bolo como uma pedra da calçada.
E, porque não quero que saiam sempre daqui com uma sensação de vazio, deixo-vos uma dica. Nesta imagem, atrás da carrinha branca, está um sítio recheado de bolinhos simpáticos, que conheço desde os meus tempos de petiz (bónus) nativo da região. Abre relativamente cedo (tipo 22h) e os únicos bichos que lá tenho visto estão do lado de fora do estabelecimento, com o atractivo adicional de ter regularmente fornadas quentinhas a sair. Além do mais, fica perto do Pestana Palace e se forem apanhados por alguns amigos chiques com um embrulho na mão, sempre podem dizer que levam petit gateaux oferecidos pelo vosso chef favorito.
Para além disto tudo, se gostam de uma boa corrida nocturna, façam como eu e vão acompanhados por gente que não se contenta com menos de 8 croissants e 12 merendas para levar para casa (sim, eu sei que vocês lêem isto). Aí, a rapidez de pernas pode ser a diferença entre o bolo dos vossos sonhos ir convosco ou de mão dada com um amigo vosso.
E, só de pensar nisto, já sinto arrepios no estômago.
Palavras sábias de
Mak, o Mau
às
11:55 AM
17
Pseudo-artistas do verbo intervieram
2009/11/17
O amor e uma bacana
Ou “A Novela Trágico-Cómica do quotidiano”
Estava nervoso. Afinal de contas não tinha tido tempo para nada do que queria, o trabalho apertava e almoço, pizza encomendada e comida à pressa ao computador, também não tinha ajudado.
Mas, existiam coisas que tinham que ser ditas e não podiam ficar para mais tarde, para mais logo ou para sabe-se lá quando. Inspirou fundo, quando precisava era de profunda inspiração, percorreu rapidamente a lista do telemóvel, fechou os olhos e ligou.
Ela atendeu. Ele falou.
- Não digas nada, deixa-me falar. Sei que sou cauteloso, que tenho sempre tudo planeado, mas desta vez falo com o coração e não com a cabeça. Quero deixar tudo para trás, quero estar contigo, não me interessa onde, desde que seja para sempre.
- M...
- Por favor, não digas nada, deixa-me acabar. Sei que nem sempre tenho sido para ti o que és para mim, mas esse tempo acabou. Percebi finalmente que para fazer as coisas certas, mais importante do que pensá-las, é fazê-las. Que me dizes, eu e tu, tu e eu, sem histórias, nem tretas, tipo só nós, o amor e uma cabana?
- Olhe, eu ia perguntar-lhe se queria a promoção dos pães de alho e a Coca Cola de litro e meio, mas posso despedir-me já hoje e sair às seis para ir ter consigo. O meu nome é Claudia e...
Desligou, em choque.
Olhou para o telemóvel. Quis o destino que Telma e Telepizza estivessem lado a lado no ecrã. Sentiu o coração cortado às fatias.
Palavras sábias de
Mak, o Mau
às
4:27 PM
11
Pseudo-artistas do verbo intervieram
2009/11/16
Desculpe, é engano?
Há coisas que eu tolero bem. Chuva, mariscos diversos e malta que gosta de usar provérbios para justificar argumentos são exemplos disso. Mas, porque quem não se sente não é filho de boa gente, há também toda uma panóplia de coisas que eu não tolero, nem sequer com o recurso a pastilhas Rennie.
Não vou evoluir muito neste assunto, primeiro porque se começo a pôr coisas que evoluem neste blog estou a descaracterizá-lo e em segundo porque não quero descobrir se há limite de caracteres para um post no Blogger.
Mas, se há coisas que me irrita sobremaneira é o chamado “engano idiota” ou a meia verdade do quotidiano. Só um instante que vou ver se a semana começa efectivamente com azia à porta.
Parece que não, era um stripper vestido de escuteiro para a senhora do lado.
Foi engano.
Calha bem, porque este tipo de enganos eu tolero. São coisas que acontecem. Também tolero enganos daqueles a sério, tipo o contabilista que desvia 2 milhões da empresa ou aquela malta que se engana, se enfrasca e acaba toda nua na festa de Natal da empresa. Isso são enganos comuns e decorrentes da necessidade humana de nos enganarmos de vez em quando.
Agora, irrita-me aquele engano idiota que não engana ninguém, aquele pormenor chico esperto para encher o olho, mas só se for de socos, no meu modesto entender. Não faltam exemplos, mas deixo-vos apenas dois:
Vôos TAP para X ou Y a partir de 59€ - A TAP gosta muito de fazer isto, na sua luta para tentar ombrear com as low costs. Mas este preço, ainda que atractivo refere-se normalmente apenas ao vôo de ida e não me parece que haja assim muita gente a adoptar a política “Vá e não volte”. Muitas vezes o preço total até pode ser atractivo, muito mais do que o trabalho de ir marcar vôos em companhias diferentes (que muitas vezes é também mais caro), mas alguém achou que o preço baixo só por isso ia toldar os olhos às pessoas. Até porque eu, quando compro viagens olho apenas para uma parcela do valor a pagar e já nem ligo ao resto. “Porreiro, o vôo de ida custou-me 30€. Tudo bem que o regresso me custou 300€, mas o de ida foi imbatível”. Yeah right....
Outro exemplo de “engano” dá-se no ramo imobiliário. Quem vende casas, pensa provavelmente que a malta compra uma habitação como quem compra um Cornetto. “Ah, não tem de morango? Pode ser de chocolate. Ou Nata. Ou então um Epá, que é quase o mesmo, mas sem bolacha”. Em resmas de anúncios imobiliários não faltam meias-verdades, um quarto de verdades e até oitavos de verdades. E depois? Vai-se ver a casa e alguém se esqueceu de dizer que o 6º andar era sem elevador? Que aquele T5 a bom preço era na cave de uma estação ferroviária? Que aquele preço incluía uma famiíia de romenos que subaluga a banheira? Não vai funcionar meus caros e não me vai fazer apaixonar pelo outro T3 na Brandoa que também têm para me mostrar na ImoTangas.
Se é para enganar, enganem onde vale a pena e onde não há forma de serem descobertos. Se é para brincar aos enganos, então usem as listas telefónicas. Para mim resultou e se não fez de mim uma pessoa melhor, pelo menos estimulou o meu interesse em imitar vozes.
Palavras sábias de
Mak, o Mau
às
4:36 PM
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Pseudo-artistas do verbo intervieram